Mostrando postagens com marcador Veja. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Veja. Mostrar todas as postagens

19 de outubro de 2010

A revista mais combativa?!

Alguém sabe me explicar o que aconteceu com a IstoÉ?

Em 2008 tivemos isso:
Imagem de protesto do MST e do MAB contra a privatização da Cesp trazia a inscrição “Fora Serra”, que sumiu da foto publicada pela revista.
07/04/2008
Marcelo Netto Rodrigues e
Renato Godoy de Toledo da "Brasil de Fato"

A revista IstoÉ desta semana mostra – para poucos – que a campanha eleitoral já começou e de que lado está. Para proteger o PSDB e o governador de São Paulo, José Serra, a publicação, contrariando todas as regras do jornalismo, apagou a inscrição “Fora Serra” de uma foto feita durante um protesto do MST e do MAB contra a privatização da Cesp.
Mais que isso, o resultado visual inverte o significado da imagem que traz uma placa de trânsito “Pare”, como se quem devessem parar fossem os movimentos, e não as privatizações.
A adulteração de uma foto – passível de processo pelo detentor de seus direitos autorais, no caso a Folha de São Paulo – é plenamente possível hoje em dia com o uso de um programa para tratamento de imagens, como o Photoshop por exemplo, mas é prática condenada no meio jornalístico. O fato escancara o poder de influência camuflada que os meios de comunicação de massa tem para atuar como o que vem sendo chamado de “Partido da Mídia” (PM).
A foto adulterada, de autoria do fotógrafo Cristiano Machado, ilustra a matéria “ O MST contra o desenvolvimento” e mostra integrantes de movimentos sociais bloqueando a rodovia Arlindo Bétio, que liga São Paulo a Mato Grosso do Sul e Paraná, em protesto contra a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), no dia 24 de março (leia reportagem).
A legenda diz “A exemplo do que ocorreu em São Paulo, em protesto contra a privatização da Cesp, os sem-terra prometem parar estradas em todo o país nos próximos dias”.
A reportagem assinada por Octávio Costa e Sérgio Pardellas criminaliza os movimentos sociais sustentando que “os sem-terra ameaçam empresas e investimentos que geram empregos e qualidade de vida”, sem mencionar que a Aracruz Celulose, a Monsanto, a Cargill, a Bunge e a Vale – citadas pela matéria como exemplos de empresas prejudicadas – respondem a acusações de destruição do meio ambiente, desrespeito aos direitos de povos tradicionais, como quilombolas e indígenas, e exploração de trabalhadores. A matéria tenta desautorizar o MST como um ator político que vá além da luta pela reforma agrária. Diz que “desde 2006, o MST lidera ataques à globalização, ao neoliberalismo e às privatizações – algo que nada tem a ver com a sua luta original”.
Nada é por acaso
A editora Três, que publica a revista IstoÉ, é controlada pelo acionista majoritário do banco Opportunity, Daniel Dantas. O banqueiro tem ligações com fundos de pensões, além de uma participação ativa no processo de privatizações de estatais sobretudo durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em 2007, Dantas superou a concorrência da Rede Record e comprou 51% das ações da editora Três, que estava à beira da falência.
O banqueiro tem uma trajetória de proximidade com outros partidos de direita como o DEM, sobretudo com o falecido político baiano Antonio Carlos Magalhães. Também foi sócio do publicitário tucano Nizan Guanaes. Por diversas vezes, foi alvo de investigações e respondeu a crimes como espionagem e formação de quadrilha. Quando estava à frente da Brasil Telecom, foi acusado de contratar a empresa Kroll para espionar a Telecom Italia.

A página original dessa notícia não existe mais no portal Brasil de Fato. O texto acima foi retirado do blog ParouParou. Link para ele aqui.

Semana passada a VEJA dá essa capa:

A imagem está bem ruim. Foi retirada do site da própria Veja.

Dai essa semana a IstoÉ dá essa:

Imagem ridiculamente pequena retirada do site da IstoÉ
 O que aconteceu com essa revista? Alguém sabe me explicar?

2 de outubro de 2010

Liberdade de imprensa e Censura

Algum tempo atrás a Carta Capital deu a seguinte capa:


No texto, assinado por Sergio Lirio, a revista afirma que a dita "liberdade de imprensa" não está sob risco algum em solo brasileiro, muito pelo contrário. Percebe-se um número crescente de blogs, jornais diários e revistas semanais e mensais no país. Há uma profusão de fontes e pontos de vista como nunca antes e viu.


A Veja, com o Capítulo V da constituição sendo atacado por uma estrela ninja petista na capa, claramente discorda da Carta Capital. O texto da reportagem, que pode ser lido online pelo Acervo Digital da revista, é bastante longo e por isso não vou reproduzi-lo aqui, mas cabe o seguinte comentário, trecho de artigo publicado no blog do Rogério Christofoletti e reproduzido pelo Observatório da Imprensa:

Impositiva, editorializada, recheada de adjetivos e carente de dados, a matéria de capa – "A imprensa ideal dos petistas" – é assinada por Fábio Portela. Em oito páginas fartamente ilustradas, a Veja desfere frontais ataques ao governo numa espécie de revide após declarações críticas do presidente Lula na semana passada. Lula se queixava da imprensa, o que é natural e esperado de qualquer governante. Veja transforma as reclamações em ações concretas do governo para deter os meios de comunicação e os jornalistas. Este é o raciocínio que – convenhamos – não se sustenta pela absoluta falta de dados da realidade e argumentos no plano discursivo.

Assim como O Estado de São Paulo:

24 de Setembro de 2010
RIO
Reunidos ontem no Clube Militar, no centro do Rio, o diretor de Assuntos Legais da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Rodolfo Machado Moura, e os jornalistas Merval Pereira (O Globo) e Reinaldo Azevedo (Veja) acusaram o governo federal de tentar controlar a produção de notícias e a produção cultural no País desde o início da gestão do presidente Lula, que foi chamado várias vezes de "autoritário".
O tema do painel organizado pelos militares foi "A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão". O primeiro aplauso do salão lotado veio para Reinaldo Azevedo, quando declarou que a Lei da Ficha Limpa é "escancaradamente inconstitucional". Na única divergência entre os dois jornalistas no debate, Merval disse considerar a lei correta.
Em seguida, Azevedo criticou as restrições propostas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) à publicidade de alimentos não nutritivos. Moura afirmou que não há monopólio da mídia no País.
Após a palestra, Merval disse considerar "um ótimo sinal" o Clube Militar fazer uma reunião pela liberdade de imprensa". "É sinal de que eles (os militares) aprenderam alguma coisa."
Mas quem está com a razão? A Carta Capital está louca, compactua ou só é ingênua? Estamos realmente sob o risco eminente de uma censura completa e esmagadora aos meios de comunicação no Brasil, risco tão grande e avassalador que exigira a interferência deles (os militares)? Mas e o Jornal do Futuro? Ainda não sabemos seu posicionamento a respeito do tema. O que a Folha tem a dizer? Isso:



Desde a morte do velho Frias o nível do jornalismo praticado na Folha está em evidente declínio. O Mario Ito Bochinni, sujeito que nem conheço mas pelo qual já me simpatizo, percebeu isso e começou um pequeno site de humor, o Falha de São Paulo, destinado a sacanear os exageros, barrigadas e até algumas mentiras publicadas pela Folha. Certamente não lucrou nada com isso, muito pelo contrário. Deve ter perdido tempo escrevendo, pensando e, principalmente, lendo a Folha. O que ele conseguiu em troca? Um processo e a censura de seu site.

Estamos sob risco de censura no Brasil? Sim! Orquestrado pelos grandes jornais e demais veículos de mídia tradicionais e familiares que publicam o que querem, independentemente da qualidade das fontes e da apuração dos fatos, e impedem que vozes dissonantes sejam ouvidas, tanto críticas quanto satíricas. Perto de uma situação como essa, o grande alarde feito pela descoberta da "censura ao humor" nas eleições deste ano a algum tempo atrás parece piada.